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sexta-feira, julho 16, 2010

“Turma da Mônica” e o mundo que queremos



Por Ale Rocha . 16.07.10 - 17h19


A Globo passa a exibir neste sábado (17), às 9h50, o desenho animado da “Turma da Mônica”, criação de Mauricio de Sousa. Logo na estreia, os telespectadores da emissora poderão ver quatro episódios, sendo dois deles inéditos: “Os Milhos” e “A Vassoura”.
As outras duas animações programadas para este sábado (“Um Doente, sua Irmã e a Grande Competição de Cuspe à Distância” e “O Guarda-chuva Voador”) já foram exibidos pelo Cartoon Network. O canal pago exibe a “Turma da Mônica” desde 2004.
Criada em 1959, os quadrinhos da “Turma da Mônica” fazem sucesso até hoje entre crianças e adultos. Preservar uma infância que não existe mais é um dos segredos de Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Franjinha e tantos outros personagens. Em uma época de crianças enclausuradas em condomínios e estressadas com rotinas estafantes graças a uma série de atividades extracurriculares, os personagens de Mauricio de Sousa servem como válvula de escape para o angustiante cotidiano contemporâneo.
Lembro das primeiras investidas da “Turma da Mônica” além dos quadrinhos. Minha primeira animação foi “A Princesa e o Robô”, de 1983, que assisti no cinema. O grande sucesso de bilheteria pegava carona nos filmes de ficção científica da época, como a primeira trilogia “Guerra nas Estrelas”. Uma pena o filme nunca ter sido lançado em DVD ou Blu-ray para ser apresentado às crianças de hoje.
Lembro de ter visto, já em VHS, “As Novas Aventuras da Turma da Mônica” e “Mônica e a Sereia do Rio”, ambos de 1986. Depois, veio um hiato só quebrado pelas animações exibidas pelo Cartoon Network e as recentes locações de DVDs da série “Cine Gibi” por meu filho de quatro anos.
Turma da Mônica
Além de diversão, “Turma da Mônica” oferece reflexão sobre o mundo em que vivemos
A exibição da “Turma da Mônica” na TV aberta não é uma conquista de Mauricio de Sousa. Os personagens têm produtos licenciados em mais de 40 países, entre eles Estados Unidos, Itália, Indonésia e Espanha. O sucesso comercial já é uma realidade. A chegada da animação dos personagens mais famosos dos quadrinhos brasileiros oferece aos telespectadores, além de diversão, um momento de reflexão sobre o mundo em que vivemos.
Há quem veja na “Turma da Mônica” um mau exemplo para as crianças. A intolerante e irritante turma do politicamente correto critica a violência da Mônica, a gula de Magali, os erros de pronúncia de Cebolinha e a aversão ao banho de Cascão. Estes chatos encontram nos personagens exemplos de bullying, prática que da noite para o dia se tornou caso de saúde pública, sendo que isso sempre existiu e serviu até mesmo como rito de passagem para muitos.
De nada adianta colocar nossas crianças em redomas de vidro e falsas fortalezas que são facilmente corroídas pela violência e pelas drogas. Repare sempre na presença dos pais nas histórias da “Turma da Mônica”, seja com gestos de atenção e carinho, seja com punições e puxões de orelha quando necessários. Isso em nada lembra os pais contemporâneos, que negligenciam a educação de seus filhos para babás, escolas e dezenas de atividades extracurriculares que os privam da liberdade e do livre arbítrio.
Em vez de pega-pega, esconde-esconde, futebol, vôlei e outras atividades ao ar livre, as crianças vivem encarceradas em condomínios e shoppings. A turma da rua se foi. Certamente, alguns pais se defendem com o argumento da sociedade violenta. Pois se convivemos em um ambiente agressivo, onde predomina a competição selvagem e o egoísmo, somos nós os responsáveis por isso. Somos a geração anterior que entregou isso aos nossos filhos.
Agora, nos resta assistir às animações da “Turma da Mônica” como algo idílico e quase inalcançável, pois tomou de nossas crianças o direito de serem briguentas, comilonas, falar errado e fugir do banho eventualmente.

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